Às amizades que nascem com os nossos filhos

Ao longo da vida somos presenteados com diferentes tipos de amigos. Alguns amigos de infância permanecem por uma vida, outros apenas voltamos a ver anos mais tarde numa qualquer rede social. Os irmãos, primos e outros familiares acompanham-nos sempre, mas são isso mesmo: família.

 

Na adolescência, tipicamente caracterizada pela inconstância e a irreverência, temos amores para a vida e BFF's, que nem sempre resistem à passagem do tempo de forma a poderem assistir ao nosso crescimento pessoal.

 

Na casa dos 20's conhecemos os amigos da faculdade e/ou do trabalho. São amizades mais maduras, que queremos que perdurem depois dos anos tumultuosos da adolescência. São os anos dos jantares, dos festivais, dos trabalhos de grupo, das festas académicas, das trocas de turnos, dos cafés, das noitadas de estudo e das saídas livres, sem o controlo parental antes imposto. São os amigos com quem projectamos o futuro e com quem esperamos crescer lado a lado, pessoal e profissionalmente.

 

Haveria muitas mais "tipologias" de amigos passíveis de serem descritas. No entanto, hoje decidi escrever este texto em homenagem às amizades que nascem com os nossos filhos. 

A chegada de um filho marca a nossa vida e passa-nos a ser estranha a vida antes dele. Para quem é mãe, ou pai, parece que aquele ser pequenino sempre existiu. Passa a haver uma vida a.F. (antes do Filho) e outra vida d.F. (depois do Filho), e a primeira parece esvair-se na nossa memória (excepto naqueles momentos em que estamos tão cansados que dávamos tudo por cinco minutos nessa "era passada").

 

Todas estas mudanças vêm muitas vezes associadas a mudanças nas amizades. Fortalecem-se relações com os amigos que já são pais, cujos horários são também "comandados" por mini-pessoas, e que entendem as nossas alegrias e frustrações sem precisarem de explicações. Sobre os amigos que não são pais, a situação é variável. As amizades que ficam tornam-se mais fortes, as outras afastam-se (ou afastamo-nos nós delas).

 

No meio de todas estas pessoas ganham destaque as amigas que surgem como pozinhos de perlimpimpim com a maternidade. Engravidamos, ganhamos uma barriga, um filho que nos preenche o coração... e amigas. São aquela lufada de ar fresco tão necessária numa fase da vida que é, por vezes, avassaladora!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Já conhecia a Catarina e a Andreia, mas eram, confesso, meras conhecidas. Os nossos maridos tinham estudado juntos e eram o elo de ligação entre nós. Mas tal como não concebo a vida sem o meu filho, não me recordo da vida sem elas. Não me recordo sequer de como, ou porquê, começámos a falar mais umas com as outras. Recordo-me apenas que de um momento para o outro dei por mim, grávida, num grupo de facebook só nosso, onde vivenciámos dia após dia, às vezes hora após hora, todos os momentos das nossas tão desejadas gravidezes. E do mundo virtual rapidamente passou para a "realidade".

 

São estas as amigas com quem desabafamos os desconfortos típicos da gravidez, com quem comparamos barrigas (ainda para mais quando estávamos as três grávidas com diferença mínima de dias), com quem decidimos o enxoval, a decoração do quarto do bebé, e com quem fazemos a mala para a maternidade - e que  pena não as podermos incluir nela!

 

Fala-se do bom, do óptimo, do mau e do péssimo. São as amigas que nos acompanham até nas incursões noturnas à casa-de-banho (porque afinal, nenhuma de nós consegue dormir), são as pessoas com quem partilhamos as nossas dúvidas, medos, ansiedades, e com quem discutimos sobre educação, parentalidade positiva (que dantes era algo perfeitamente desconhecido), falamos de amamentação, e idealizamos um parto de sonho. Para as três.

 

E quando foi chegado o momento da entrada em trabalho de parto, estávamos lá, ainda que à distância, a acompanhar de perto o nascimento dos nossos rebentos. A nossa querida Alice nasceu no dia 24 de Julho de 2015 e foi a primeira. O nervosismo ia aumentando, a par da vontade de os termos aos três cá fora, nos nossos braços. O Simão foi o segundo e nasceu nos Açores no dia 30 do mesmo mês. Para o fim ficámos nós, mas nem acabadas de ser mães - e com tanto com que se preocuparem - elas se esqueceram de mim. No dia 11 de Agosto lá estávamos as três, prontas para receber o Francisco, o meu bebé tão sonhado.

 

E foi assim que, depois de meses de partilha entre grávidas, passámos a partilhar (novamente) noites mal dormidas, questões relacionadas com a amamentação, cocós (sim, as mães abusam deste tema), dentes, as primeiras conquistas, as primeiras comidas, os maridos amorosos, mas também os maridos que queremos ver pelas costas de vez em quando, as visitas desejadas, as visitas indesejadas, os melhores gadgets de puericultura, os concertos para bebés, os primeiros sorrisos, as primeiras palavras, e os primeiros passos.

 

Podia escrever um livro sobre a nossa amizade, e ainda assim não seria suficiente para demonstrar o enorme carinho que sinto e o quão privilegiada me considero por as ter na minha vida. Existem actualmente inúmeros grupos de apoio para mães. Este foi e é o meu!

 

Há amizades que vão e voltam. Outras apenas vão. Mas que amizade pode ser mais duradoura, profunda e genuína, do que aquela que tem por base o melhor de nós, os nossos filhos?!

 

Obrigada, amigas, por tudo aquilo que são! Este projecto é também vosso e hoje as palavras vão para quem tanto merece: vocês!

 

 

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