10 Passos para Planear uma Viagem sem Filhos

Quando um bebé nasce - e sobretudo quando se trata do primeiro filho - ficamos, frequentemente, tão absorvidos por aquela pessoinha a quem demos vida que, por vezes, nos "esquecemos" de quem éramos antes de sermos mães. Não sou certamente uma mãe perfeita, nem ambiciono sê-lo. Porém, estou convicta de que tenho procurado, em cada etapa, dar o melhor de mim!

 

Tenho a sorte de ter o típico "bebé dado", que desde cedo se revelou "desenrascado" e "independente" a vários níveis - dentro da independência possível para uma criança de 21 meses. Apesar de ser uma criança fácil, são poucas as pessoas em quem confio totalmente para ficarem com ele, sabendo que têm os mesmos valores que nós, pais, e que respeitam as nossas escolhas, decisões e princípios educacionais. Assim, até há pouco tempo tínhamos experimentado apenas algumas separações temporárias, a maior das quais pelo período de um fim-de-semana (sobretudo porque, na altura, precisávamos urgentemente de dormir). Tudo correu sempre bem e, ao fim de quase 2 anos, e depois de ponderarmos bem a situação a dois, decidimos que tinha chegado o momento em que nos sentíamos preparados para voltarmos a viajar!

 

Desde que nos conhecemos, primeiro como namorados, e mais tarde como marido e mulher, sempre nos demos ao "luxo" de fazer uma viagem por ano. Não somos pessoas de extravagâncias, mas viajar sempre fez parte de nós. Contudo, quando engravidei em Novembro de 2014, e até à data, as viagens para o estrangeiro ficaram para segundo plano.

 

Foi recentemente que comecei a sentir verdadeira necessidade de ter uns dias para mim, e para nós. Amo perdidamente o meu filho, mas acredito que temos o direito e até a necessidade de, de vez em quando, nos redescobrirmos como pessoas. Antes de sermos mães, mulheres ou profissionais. Por outro lado, acho fundamental que o casal continue a namorar e a partilhar dos gostos que tinha antes do bebé preencher os nossos corações e a nossa vida. Assim, e sem culpas (embora com o coração apertado), decidimos marcar uma viagem de uma semana a Marraquexe, Marrocos, sem filho.

Memórias fotográficas da nossa primeira viagem sem o Francisco:

A experiência revelou-se muito positiva para nós e conseguimos usufruir verdadeiramente da viagem, mesmo com um oceano a separar-nos. Para o sucesso da viagem e a tranquilidade que, como mãe, senti nesta primeira separação do Francisco, contribuíram alguns aspectos.

 

Antes de mais, há algumas inevitabilidades que temos que aceitar:

  • É difícil partir. Por vezes dói.

  • A ansiedade aumenta à medida que o dia da partida se aproxima.

  • Merecemos ter um time out. E não temos que nos sentir culpados por isso. Nem temos que nos sentir mal se não formos invadidos por esse sentimento de culpa.

  • Depois de sermos pais, passamos a ter mais medo que algo nos aconteça, porque temos alguém que depende de nós.

  • Os piores cenários que imaginamos para a nossa ausência, não vão passar de ideias e de medos. Raramente se concretizam (felizmente!)

  • Partir é difícil, mas também é bom.  Torna-nos mais fortes, fortalece os laços do casal, e a criança aprende que os pais vão, mas voltam.

  • Há que confiar em nós mesmos e no nosso filho!

 

Os nossos 10 passos para planear uma escapadela romântica sem mini-pessoas atrás:

 

1. Saber que a criança fica com alguém em quem confiam plenamente

Deve ser alguém com quem sabem que a criança ficará bem e que saberá solucionar algum contratempo que surja na vossa ausência. É importante que seja alguém que conhece os hábitos/rotinas da criança e com quem ela já esteja habituada a ficar por alguns períodos, sem dramas.

No regresso, não se esqueçam de agradecer! Nem todos os casais com filhos têm alguém nas suas vidas a quem possam recorrer para umas férias a dois. Gratidão deve ser a palavra de ordem no regresso!

 

2. Minimizar alterações à rotina da criança

Já bem basta os pais "desaparecerem" por uns dias! As crianças adaptam-se à mudança, mas se puderem não acontecer todas de uma vez, melhor!

 

3. Planear a ausência dos pais

Transmitir todas as informações relevantes ao cuidador, ajudando-o a ser bem sucedido. Pode ser útil deixar a informação escrita, não só para quem fica com a criança, mas sobretudo para nós, pais, podermos respirar fundo sabendo que deixámos toda a informação necessária.

Para escrever este "manual" convém percorrermos mentalmente um dia habitual do nosso filho, para não nos esquecermos de nada importante para cada momento do dia.

 

4. Deixar documentos e números de contacto importantes

Nomeadamente: médico de família e/ou pediatra, creche/ama (se for caso disso), Saúde 24, números de outras pessoas ou instituições que possam ser úteis.

Neste contexto, é importante não nos esquecermos de deixar o porta-documentos ou uma pasta com toda a documentação da criança (Boletim de Saúde, Cartão de Cidadão, cartão do seguro de saúde, se o tiver, etc).

 

5. Garantir condições de segurança - A cadeira de transporte

Se necessário, transfiram a cadeira de transporte automóvel para o veículo da pessoa responsável por cuidar do vosso filho, ou outra que possa ter que o transportar, para que o façam em segurança. Pode ser importante exemplificarem a colocação da criança na cadeira, porque tendencialmente quem não está habituado a este processo acaba por, com alguma frequência, deixar o cinto demasiado solto.

 

6. Se a criança vai à Creche / Ama

Na ausência dos pais, pode ser importante avisar previamente sobre esta alteração. É possível que notem alguma mudança no comportamento da criança e, assim, já estão alerta para a situação, para além de que nalguma necessidade devem ter o contacto da pessoa que fica responsável temporariamente pela criança.

 

7. Preparar a criança para a vossa ausência. Conversar com ela

Sempre conversei muito com o Francisco, desde o primeiro dia - aliás, já conversava com ele ainda ele era uma "ervilhinha" - e acredito que, por muito bebés que possam ser, entendem mais do que por  vezes imaginamos. Numa perspectiva de parentalidade consciente, positiva e com apego, estilo parental com o qual nos identificamos, creio ter sido fundamental explicar ao Francisco que nos íamos ausentar, mas que voltávamos. A verdade é que, no nosso caso, ele gostou da ideia da mamã e o papá irem passear de avião e passou a semana confortado com essa ideia. De cada vez que via ou ouvia um avião, lá dizia, alegremente, "mamã, papá, avião", e sorria, seguro, porque os papás voltam.

 

8. Manter o contacto possível durante o período de separação

É importante conseguirmos abstrair-nos para usufruirmos da viagem, embora acabemos inevitavelmente por falar neles mil vezes ao dia. Nesta viagem optámos por falar diariamente com o Francisco via Facebook Messenger (vídeo chamada) sempre que nos encontrávamos no Hotel com Wi-Fi. Como a hora em Portugal e em Marrocos é a mesma, tornou-se mais fácil! As novas tecnologias permitem-nos minimizar a distância e matar um pouco as saudades.

 

9. No caso de mães que amamentam

É importante que façam previamente stock de leite para que seja oferecido à criança na vossa ausênca, e que se certifiquem de que a pessoa com quem o bebé fica está apta para e conhece os princípios de armazenamento, conservação, preparação e aquecimento de leite materno (e que tem todos os acessórios necessários para dar o leite materno à criança, seja por copinho, colher, biberão...).

Durante a viagem, e porque as nossas maminhas funcionam tendo por base a estimulação, é importante extrairmos leite para manter a produção. A extracção pode ser realizada com recurso a uma bomba extractora ou manualmente. Nesta viagem, extraí diariamente leite de forma manual - fácil, quando se conhece a técnica, prático, e sem necessidade de outros gadgets!

 

10. Se a criança vai sair de casa

Seja para casa dos avós ou de outros cuidadores, convém preparar a mala com antecedência. Pode ajudar fazer uma check-list! Quanto ao conteúdo da mala do bebé/criança, não me vou alongar. As mães sabem, melhor do que ninguém, acerca das necessidades dos seus rebentos, em função do tempo de ausência.

No nosso caso foi a avó que se deslocou para nossa casa, o que facilitou toda a logística. Apesar de a minha mãe "conhecer os cantos à casa", reforcei algumas questões mais importantes. Antes a mais do que a menos!

 

E depois de todo este planeamento, resta-nos seguir viagem, sem culpas, sabendo que as saudades vão apertar (facto!), mas que logo logo terão o vosso filho de volta nos vossos braços, e estarão com energias renovadas para lhe darem o melhor de vocês!

 

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