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Adaptação ao meio aquático: Uma moda ou uma experiência importante para o desenvolvimento do seu bebé?

Hoje em dia existe uma vasta oferta de aulas para crianças na primeira infância. Mas será esta, apenas, uma moda ou uma experiência determinante para o desenvolvimento do seu bebé?

Nos últimos anos têm sido realizados vários estudos sobre este tema, onde muito se tem confirmado sobre os benefícios da água no desenvolvimento do bebé. Como profissional da área, procuro através deste texto referenciar quais os principais objetivos da adaptação ao meio aquático na primeira infância, quais os benefícios, quando se deve iniciar a adaptação ao meio aquático e, ainda, indicar alguns aspetos que os pais devem ter em atenção na sua participação durante as aulas.

 

No que diz respeito aos objetivos, as aulas de adaptação ao meio aquático procuram, sobretudo, o desenvolvimento multilateral da criança, tendo em conta as perspectivas psicomotoras, cognitivas e sociais. Relativamente aos propósitos psicomotores, este prendem-se com a motricidade grossa (através de flutuações, deslocamentos, imersões e saltos) e a motricidade fina (trabalhando as manipulações, a orientação espacial, o ritmo, entre outros). Como professora de adaptação ao meio aquático creio ser essencial transmitir aos pais que a nossa preocupação principal, durante os primeiros dois anos, não passa por ensinar a criança a nadar, mas sim proporcionar atividades que permitam o desenvolvimento da sua capacidade psicomotora, do equilíbrio emocional e da sociabilização com os pais e com outras crianças.

 

Observando os objetivos acima enumerados é facilmente compreensível que a aprendizagem da natação na primeira infância se constitui como um dos agentes educativos de primeira linha para a Educação Física na primeira idade.

 

A este propósito, enumero alguns benefícios do trabalho realizado com os bebés nas aulas de adaptação ao meio aquático:

  • Desenvolvimento das habilidades vitais de sobrevivência;

  • Fortalecimento do coração e dos pulmões;

  • Aumento da força e da resistência;

  • Estimulação da agilidade e da coordenação;

  • Contribuição para o relaxamento do bebé;

  • Estimulação da consciência e do estado de alerta;

  • Fortalecimento do vínculo entre progenitor e bebé.

 

Quando devem começar os bebés a praticar?

Relativamente à altura indicada para iniciar a adaptação ao meio aquático, existem várias opiniões, umas que indicam os três meses de vida como a altura certa para iniciar, e outras (a grande maioria) que indica os 6 meses. As concepções que apontam os três meses de vida, como a idade ideal para o inicio da prática, mencionam como aspeto relevante o facto de se trazer o bebé o mais cedo possível de volta ao seu antigo habitat, que durante nove meses foi a vida intra-uterina. No entanto, nem todos os profissionais da área são da mesma opinião, tal como muitos médicos, assinalando que nesta altura ainda existem vários sistemas em formação (i.e. pele, ouvidos, sistema respiratório, entre outros), não sendo por isso tão benéfico o contacto prolongado dos mesmos com a água da piscina (uma vez que esta é tratada com produtos químicos).

 

Por outro lado, a opinião mais reiterada nos vários estudos estabelece os 6 meses como a idade ideal para começar a adaptação ao meio aquático, tendo por base a noção de que o bebé já terminou grande parte da formação dos sistemas acima referidos e, por outro lado, apenas perde a sua capacidade nata de apneia, perto do sétimo ou oitavo mês de vida. Ou seja, o início da adaptação ao meio aquático no sexto mês de vida permite que a água não condicione o desenvolvimento dos órgãos dos bebés e, ao mesmo tempo, que apesar de ainda não existir a realização de imersões, ao longo desses meses iniciais de vida, não se percam os reflexos de bloqueio e apneia, aspectos que facilitam a adaptação da criança à piscina.

 

Além das razões acima indicadas, o facto de o bebé iniciar este tipo de adaptação a partir dos 6 meses de vida consente que seja mais fácil a flutuação, uma vez que só a partir desta altura é que inicia a capacidade de controlo total da sua musculatura, sendo, por isso, mais fácil relaxar.

           

Todavia, reconheço ser essencial referir aos pais que se encontram a ler este texto que a forma como dão o banho ao seu bebé é crucial para que consiga estar tranquilo e feliz na água. Se desde os primeiros dias de vida o bebé for contactando com pequenas gotas de água na cara, isto possibilita que inconscientemente a criança continue a realizar o bloqueio automático da glote, contribuindo para que este reflexo não seja perdido tão depressa. Por esta razão, vários especialistas referem que o primeiro banho do bebé deve ser a sua primeira aula de natação.

Características das aulas

  • As aulas devem ter uma duração de cerca de 30 minutos, pois este é um tempo aceitável e permite o trabalho dos objetivos propostos. Apesar de se encontrar estabelecido este tempo de aula, os bebés, principalmente nas primeiras aulas, devem ser retirados da água antes do seu término caso demonstrem sintomas de cansaço. Esta ideia vai ao encontro dos estudos que mencionam que o bebé deve sair no melhor momento da aula para que sinta vontade de voltar, guardando assim na sua memória, sensações positivas daquele momento;

  • As aulas devem-se caracterizar por momentos de brincadeira, com a aplicação de vários exercícios. A capacidade de atenção e concentração dos bebés é muito reduzida, sendo por isso necessário a troca de actividades de modo a prender a atenção da criança, para que mantenha sempre o sentimento de prazer;

  • A água da piscina deve encontrar-se entre os 31º e 33º, dependendo da altura do ano (temperatura exterior);

  • O professor deve procurar passar positivismo e bem estar, através do seu sorriso e da sua alegria, demonstrando o prazer de trabalhar com a energia viva que é um bebé. Além destes aspectos, o professor deve ter ainda em atenção o tom de voz, falando com calma e num tom que transmita tranquilidade.

 

Aspetos essenciais para o contributo dos pais

  • Compreender que a ideia principal é que o bebé descubra que a piscina é uma grande banheira, onde o bebé e o pai/mãe se vão divertir muito;

  • Converse, brinque e sorria muito para o seu filho, pois isso irá transmitir-lhe felicidade;

  • Esteja sempre de frente para o seu bebé;

  • Os pais têm um feeling especial, use-o para sentir o momento indicado para realizar um novo exercício, ou uma imersão pela primeira vez. É essencial que o pai se sinta confiante e tranquilo, nunca forçando o bebé!!

  • Se durante a aula o bebé chorar, aconchegue-o nos seus braços, pois nada pode ser mais tranquilizante que o colo e os mimos dos pais;

  • É necessário ter consciência que a aprendizagem é constituída por fases distintas, existindo por isso momentos de progressos, outros de estagnação e até mesmo regressões, mas todas elas fazem parte do desenvolvimento do seu bebé;

  • Nunca compare o seu filho com os colegas, pois cada um tem o seu ritmo de aprendizagem e o seu nível psicomotor;

  • Na primeira aula, segure o seu filho bem perto do seu corpo no momento da entrada na água, falando com voz suave e calma, e dando muitos miminhos para que se sinta o mais seguro possível;

  • Aproveite, disfrute muito e acima de tudo seja feliz!!

 

Como profissional aconselho vivamente, caso existam possibilidades, que permitam esta experiência aos vossos filhos, pois possibilitam o desenvolvimento de diversas capacidades e proporcionam momentos de muita felicidade. Tenho a certeza que os vossos bebés irão adorar e os papás também! Fica o conselho.

 

 

Texto de:

Raquel Batista Rodrigues

Licenciada em Ciências do Desporto - Ramo de Exercício e Saúde pela Faculdade de Motricidade Humana

Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, pela Faculdade de Motricidade Humana

Professora de Adaptação ao Meio Aquático, Natação e Hidroginástica desde 2011

 

Bibliografia

Barbosa, T., Costa, M., Marinho, D., Queirós, T., Costa, A., Cardoso, L., Machado, J. & Silva, A. (2015). Manual de referencia FPN para o ensino e aperfeiçoamento técnico em natação. Versão completa. 28-34. Federação Portuguesa de Natação.

Nakamura, O. & Silveira, R.  (1998). Natação para bebés. Ícone editora.

Sarmento, P. (2001). A experiência motora no meio aquático. Edições Omniserviços.

 

 

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