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À Conversa com Ana Lúcia Torgal

Em Setembro de 2016 Lisboa associou-se à Campanha “Aleitamento Materno: presente saudável, futuro sustentável”, uma iniciativa do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras, em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa e a Câmara Municipal de Oeiras.

Numa alusão aos objectivos de desenvolvimento sustentável, fixados pela ONU até 2030, a campanha contou com o envolvimento empenhado das autarquias e da comunidade local, com vista à sensibilização para a prática do aleitamento materno. Assim, esta iniciativa apresentou-se sob a forma de cartazes expostos em equipamentos urbanos (mupis), conferências, produção de postais e outras iniciativas que aconteceram nos meses de Setembro e Outubro, a propósito da Semana Mundial do Aleitamento Materno.

Com esta campanha o ACES Lisboa Ocidental e Oeiras reforçou a sua candidatura a Unidade de Saúde Amiga dos Bebés, certificação que foi atribuída numa cerimónia que teve lugar no dia 12 de Outubro de 2016. Trata-se do reconhecimento da adopção de medidas e práticas que implicam uma prestação de cuidados de qualidade e que contribuem para a promoção do aleitamento materno, pela UNICEF e OMS.

Estivémos à conversa com a Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica Ana Lúcia Torgal, do Comité do Aleitamento Materno do ACES Lisboa Ocidental e Oeiras, a propósito da referida campanha.

 

Como surgiu a ideia de criar a Campanha pelo Aleitamento Materno?
A ideia da campanha surgiu a propósito da nossa candidatura à certificação da UNICEF para “Unidade de Saúde Amiga dos Bebés”. Um dos itens a avaliar era se estava implementada a “colaboração entre a equipa de saúde e a comunidade local”, ou seja, era necessário envolvermos a comunidade local para as questões do aleitamento materno. Sabendo que as autarquias têm um papel fundamental na promoção da saúde e qualidade de vida de quem habita e trabalha no concelho, a Direcção do Agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras lembrou-se de propor aos Municípios da sua área de influência, o apoio e a participação nessa iniciativa. A campanha desenvolveu-se nos concelhos de Lisboa e Oeiras, nos meses de Setembro e Outubro de 2016 no âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, cujo slogan em 2016 era “‘Breastfeeding: A key to Sustainable Development".

 

É a primeira campanha deste género em Portugal?
Que eu tenha conhecimento, sim!

Quem esteve envolvido neste projecto?
A iniciativa do projecto partiu do ACES de Lisboa Ocidental e Oeiras que o apresentou, em Fevereiro de 2016, às duas autarquias da sua área de influência, Município de Oeiras e Lisboa. Ambas aceitaram financiar o projecto e apoiá-lo na sua execução. Para tal foi necessário envolver profissionais do marketing, comunicação, fotógrafos, designers, etc. O agrupamento de Centros de Saúde de Lisboa Ocidental e Oeiras assegurou o convite às famílias que aceitaram ser fotografadas para a campanha, assim como o apoio directo, por uma profissional de saúde, à equipa de marketing na concretização final dos cartazes.

 

A campanha cumpriu os objectivos para que foi criada?
Penso que sim! Tal como previamente acordado foram expostos os 70 mupis espalhados pelos dois concelhos, durante cerca de 6 semanas. No Concelho de Lisboa além dos mupis foi lançada uma colecção de 5 diferentes postais para oferta nos serviços de saúde. Felizmente a 30 de Setembro fomos oficialmente informados que conseguimos a Certificação da UNICEF como a 1ª Unidade de Saúde Amiga dos Bebés em Portugal.

 

Como foi a aceitação das pessoas, de uma maneira geral, e qual o feedback que deram?
Houve reacção das pessoas à campanha, e esse era um dos objectivos, que se falasse de aleitamento materno. De um modo geral a aceitação foi muito boa mas também houve vozes contra. As redes sociais e a comunicação social deram esse feedback. No lançamento da campanha estiveram presentes jornalistas e saíram 4 artigos em revistas e jornais de relevo nacional a propósito da campanha.

Na sua opinião, qual a importância que este tipo de campanhas tem na nossa sociedade?
Penso que uma campanha deste género é muito importante! A promoção, protecção e apoio ao aleitamento materno não pode ser uma questão apenas dos profissionais de saúde! Tem que ser uma preocupação de todos. A evidência científica tem demonstrado que as crianças amamentadas têm menor probabilidade de desenvolver obesidade, com o benefício a longo prazo, da diminuição da incidência de diabetes e hipertensão na vida adulta. Logo, este é um assunto que merece a preocupação de todos, como a educação, o poder local, as entidades empregadoras, a justiça. É importante que se fale do Aleitamento Materno, pois Portugal ainda tem taxas muito abaixo daquilo que a OMS/UNICEF recomenda.  

 

O ACES Lisboa Ocidental e Oeiras é agora uma Unidade de Saúde Amiga dos Bebés. O que foi necessário para se alcançar esta Certificação?

Foram dois anos de trabalho intenso, liderado pelo Comité do Aleitamento Materno do ACES, sempre com o apoio da Direcção. Foi necessário elaborar uma Política do Aleitamento Materno do ACES, rever os Protocolos de Boas Práticas, fazer cumprir o Código de Marketing dos Substitutos do Leite Materno, e criar espaços favorecedores da prática do Aleitamento Materno em todas as Unidades de Saúde. O mais importante foi actualizar os conhecimentos dos profissionais de saúde para a prática e o apoio ao aleitamento materno. Ao longo de 18 meses realizámos 8 Cursos de 24h onde estiveram presentes mais de duas centenas de médicos e enfermeiros, mas também psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, higienistas orais. Também tivemos que formar os restantes profissionais não clínicos do ACES, como administrativos, assistentes operacionais e seguranças sobre o projecto e a importância dele. Após estas iniciativas informámos a UNICEF que estávamos prontos para ser auditados. A auditoria ocorreu nos dias 21, 22 e 23 de Setembro. Todas as Unidades de Saúde foram visitadas e foram realizadas entrevistas aos profissionais e utentes.

 

Para finalizar, Ana Lúcia Torgal deixou-nos uma mensagem de incentivo:
Desafio outras Unidades de Saúde a trabalharem para esta Certificação…. EM PROL DA SAÚDE DE MÃES E BEBÉS!

 

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